Terça-feira, 11 de Maio de 2004

Relativizemos, irmãos

É engraçado, mas há duas palavras que, ultimamente, têm convivido comigo todos os dias: privacidade e expectativa.



A privacidade vem agora à baila a propósito de tal frase que o Piano escreveu e com a qual concordo, se bem a percebi: «Num blog é-se exímio guardando a privacidade». A questão parece ser – e neste ponto dou absoluta razão ao meu querido, precioso e sábio amigo Miguel, e subscrevo-o na totalidade – o que é a privacidade, afinal de contas? Para que serve, exactamente? E – aqui, paro um segundo para, enquanto faço a devida citação, dobrar-me à merecida vénia –, mais importante de tudo, «sobre o que podemos falar sem corrermos o risco de estarmos a ser indiscretos?» Quem sabe esta? Por certo, nunca saberemos quando conter-nos, o que realmente conter e para quê conter, raisparta. Parece-me que tudo depende de cada um, do modo como cada um de nós conceptualiza a privacidade e do modo como cada um categoriza aquilo que ouve. Parece-me.

Para a Maria, falar do namorado em público ou desbocar-se acerca do ordenado que ganha por mês será de uma indiscrição atroz, despropositada, inconcebível, constrangedora. Ela cala-se. Terá a sua razão, como é óbvio. Pelo menos de acordo com a minha categorização de privacidade. Mas e o Henrique? Que é simpeslmente o maior desbocado de todos os tempos. Por que não pode ele bradar aos céus aquilo que bem lhe apetece acerca da respectiva vida sem que a plateia o considere um palhaço? (lá está, discreta, na minha historieta, é a menina, e o menino ponho-o desbocado. sou cá de uma imparcialidade...)



Ai! ai! E o que fazer quando sabemos de algum pormenor sórdido acerca do nosso amigo, que por acaso envolve outro amigo nosso, que está a par desse mesmo pormenor? Se eu contar ao meu amigo que não sabe, estarei a violar a privacidade do outro que sabe e que está também envolvido? É complicado, claro. Eu, cá de mim, preferiria não saber de nada, e esta é a verdade. Mas o que será correcto quando se tem a informação na mão? Volto à mesma: depende, claro está. Será que tem a ver com maturidade? Não, não. Poder de decisão? hum... Destreza de raciocínio? hum...



Segundo muita gente, o mundo perfeito seria aquele onde nos entenderíamos no que à conceptualização da realidade de cada um diz respeito; o sublime seria termos a capacidade para nos posicionarmo-nos no outro e percepcionarmos as suas verdadeiras intenções, sem nunca nos chatearmos ou julgarmos. Isto é possível? Epá, acho que não.



Sumarizando, o que realmente me faz espécie acerca da privacidade é o seguinte: há só uma? Mesmo quando não envolve terceiros, ela é só uma? Para que é que isto interessa, na realidade?





Adenda: a expectativa fica para amanhã. É que nem tenho a mínima hipótese...





publicado pela batukada às 22:10
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