Domingo, 5 de Março de 2006

Saga Nem Só de Forró, Axé, Marias Ritas, Perlimpimpins e Sangalas Vive a Música Brasileira, Com a Gr

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Teique um e meio - Sapatas de que até gosto

[Cena quatro – Gal Costa: It's all over now, baby blue]


Elvis Presley morreu badocha e com o fígado desfeito precisamente no mês em que nascera, em tempos, Alfred Hitchcock. Por sua vez, Hitchcock nasceu no mês e no dia em que, anos mais tarde, viria também eu a nascer. Enfim, a vida e as coincidências, as coincidências e a vida. Além da supracitada morte, o ano de 1977 acolheu ainda o nascimento de Thierry Henry e da Shakira, a estreia do Saturday Night Fever, a estreia do Star Wars, o mega-apagão de Nova Iorque, a estreia dos B-52's e a prisão do Keith Richards. No fundo, arrancavam, em 1977, os divertidíssimos anos oitenta. 1977 é ainda o nome de um álbum dos Ash. Já 1979 é o nome de uma música dos Smashing Pumpkins, que acabou por dar o nome a um álbum de singles, com este single incluído, também dos Smashing Pumpkins. Este álbum de singles fazia parte de uma caixa que saiu em edição limitada nos finais de 1996, a chamada box dos Smashing Pumpkins, digamos, de seu nome The Aeroplane Flies High. Lembro-me bem da pergunta que mais ouvi entre Dezembro de 1996 e Outubro de 1997: "Já tens a box?". Enfim, sim: tenho lá em casa uma desde Novembro de 1996, e gosto muito. E enfeita-me lindamente a estante (um beijinho para a minha querida Expedit).

Sucedeu também em 1977 Gal Costa usar o cabelo com risco ao meio. Ainda lhe dava - é certo que com menos frequência que em 1968 - nos ácidos, com certeza. Tento acreditar que sim, pelo menos. Foi, por falar nisso, em 1968 que os tropicalistas, sedentos de protestos e reivindicações, desataram a guitarrar e a batucar (cheira-me que já merecia um autolinque) Brasil afora, desiludidos e com os bolsos dos casacos de lã carregados de droga. Lá no meio daquilo tudo, da droga, Gal reparava que o mundo lhe estava, com certeza, a ficar um bocadinho mais engraçado. Foram épocas frutíferas para o mundo em geral e também para a Gal Costa, uma pessoa, até aquela altura, sonsa. Viva o tropicalismo, vá. De 1968 a 1976, a vida foi, para Gal Costa, um amarfanhado de ideais. Notou-se, aliás.

Bom, sucede que andou e andou e foi parar ao tal ano de 1977. E é aqui paramos, já que foi aqui que a senhora agarrou e e se pôs a cantar uma cantiga de Bob Dylan, mas em brasileiro. Bob Dylan, por sua vez, é a pessoa que, nem por acaso, se divorciou, precisamente em 1977, de Sara Lowndes Dylan. É esta a músiquinha que aqui toca. It's all over now, baby blue será, provavelmente, uma cantiga dos anos sessenta. Negro amor, a da Gal, é de 1977. Bom, nem sei que diga.

Negro Amor
by Bob Dylan, no fundo, mas cantadinha agora por Gal Costa, com muita garra

Vá, se mande, junte tudo que você puder levar
Ande, tudo que parece seu é bom que agarre já
Seu filho feio e louco ficou só
chorando feito fogo à luz do sol
Os alquimistas já estão no corredor
e não tem mais nada negro amor

A estrada é pra você e o jogo é a indecência
junte tudo que você conseguiu por coincidência
e o pintor de rua que anda só
desenha maluquice em seu lençol
sob seus pés o céu também rachou
e não tem mais nada negro amor

Seus marinheiros mareados abandonam o mar
seus guerreiros desarmados não vão mais lutar
seu namorado já vai dando o fora
levando os cobertores? E agora?
até o tapete sem você voou
e não tem mais nada negro amor
e não tem mais nada...

As pedras do caminho deixe para trás
esqueça os mortos que não levantam mais
o vagabundo esmola pela rua
vestindo a mesma roupa que foi sua
risque outro fósforo, outra vida, outra luz, outra cor
e não tem mais nada negro amor
e não tem mais nada negro amor
e não tem mais nada negro amor
e não tem mais nada negro amor


Na verdade, eu não tenho a certeza se a Gal Costa é sapata, mas é situação que não interessará muito.
publicado pela batukada às 20:20
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