Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Pela manhã, sinto a vontade de cantar; acordo a voz, agarro a música no ar.

.

Mas em cada música não há magia, Dina. Por exemplo, a música que paira na situação "metropolitano". Realmente, a minha incursão por este meio de transporte tem, com efeito, aberto novos horizontes à minha vida. Nomeadamente o da confirmação de que este povo é estranho. Estranho. Eu acreditava em tudo o MEC dizia, e diz, de bom acerca dos tugas (aliás, palavra de MEC para mim é Palavra) – da gente, no fundo –, mas creio que não vai haver mais crónica nenhuma que me valha. Experimentem viajar de metro. Experimentem. Depois digam-me.

 

Ora, depois da saga dos velhos a cairem-me em cima (que culminou numa catarse trágica total, diga-se), chegou-me às mãos a saga dos que chegam à estação terminal a dormir e não acordam e que são ignorados por toda a gente menos por mim, caso contrário iam parar ao reino maquiavélico dos caboucos onde os metros vão descansar depois de fazerem a última estação. Aí, os adormecedores seriam, provavelmente, devorados pelas mães dos metros que ali estão à espera de seus filhos para lhes darem de comer, para os adormecerem e retirar os chapéus de chuva e os Destaks que lhes deixam dentro do estômago. 

 

O problema não são as pessoas que adormecem, coitadas, e que chegadas à estação terminal não acordam. O problema é, obviamente, o mundo, em geral,  e tudo, em concreto. Mentira, também não sou assim tão avessa a pessoas. Mas o problema é que ninguém –ninguém – nin-guém – à excepção, obviamente, desta excelentemente boa pessoa que agora vos escreve (e talvez de outras boas almas, como é o caso do leitor, claro, mas com quem ainda não tive o prazer de me cruzar), se digna a dar um toque que seja no braço do adormecido a fim de o acordar e de o ajudar a descer no destino certo. As pessoas ignoram o facto. Ignoram. Já tive, inclusivamente, de aplicar duas ténicas de acordanço em duas pessoas distintas. O que nos leva também à triste realidade de que: ninguém acorda da mesma maneira.

 

Pá, não se aguenta.

 

publicado pela batukada às 10:50
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7 comentários:
De Lua a 17 de Janeiro de 2009 às 08:58
Levanto a mão - outra boa alma aqui.

Mas já-me aconteceu levar com um grito ou dois por acordar. Disseram-me que estavam a dormir e que não tinha o direito! Enfim...
De andreia moreira a 17 de Janeiro de 2009 às 15:09
Enquanto eu conhecer pessoas como tu, que se preocupam, que não viram a cara, fingindo não ver o que está ao seu alcance, tenho fé na humanidade e que pode haver um futuro melhor para o planeta. Obrigada. Beijinhos.
De andalsness a 20 de Janeiro de 2009 às 16:32
livra-te de me acordares.
De O Puto a 29 de Janeiro de 2009 às 11:13
Ora então a isso não se chama ser cosmopolita? Partilhar espaços com estranhos mas viver para o próprio umbigo? Se assim for, dispenso. Ainda bem que há pessoas como tu. Se vivesse nessa metrópole onde o civismo escasseia e a pressa impera, esforçar-me-ia por manter esses hábitos de consciência. O dia em que deixasse de o fazer seria um bom dia para pensar em regressar. Beijos!
De batukada a 29 de Janeiro de 2009 às 18:02
Beijos!
De alpha girl a 1 de Março de 2009 às 21:11
Olá..é a primeira vez que leio o teu blog..! Mas gostei..!
E quando ao texto, se fizesses a linhas de metro de sta apolonia ias estar muito mais animada pois ias encontrar um daqueles pedintes com a particularidade de o habitual "tenha a bondade de me auxiliar" ser dito em rap com a respectiva música! x)
De batukada a 3 de Março de 2009 às 13:15
Olá, alpha girl. Muito obrigada. Conheço esse rapper-pedinte! Às vezes apanho-o. =)

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